PROMETEU

(Luiz Henrique Prieto)

Meu coração está em prantos, aos berros.

Mas, já não chora, apenas soluça.

As lágrimas secaram.

Tum...tum...tumtum...

Bate, descompassado.

Aliás, apanha.

E, a cada novo golpe, a alma sangra.

No entanto, as chagas não cicatrizam, permanecendo vivas, como se um cruel abutre devorasse parte do meu fígado a cada anoitecer, e este se regenerasse, a cada novo alvorecer, para novamente ser devorado ao cair da noite, num incessante ciclo de dor e sofrimento.

A mente, companheira fiel e certeira de todas as horas, trai os meus pensamentos, como a me conduzir por um infindável labirinto de torpor e vagas lembranças, de uma outrora vida feliz.

Permaneces em mim, como tatuagem impressa em meu corpo, n'alma e no mais profundo recanto do meu ser.

Meu coração sangra.

Vinde, vampira !

Singra teu amado...

E torna-o tão imortal quanto tu.

 

 

(post dedicado à minha mullher)